(des) generalizando

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Moda e publicidade trabalham em busca da desgeneralização, um dos temas mais polêmicos e comentados da atualidade, fazendo com que as empresas e agências se desdobrem para surpreender o público com campanhas incríveis.

Não é de hoje que a moda passa por cima das generalizações do que é feminino e masculino. Coco Chanel foi precursora quando transformou, em 1954, a alfaiataria masculina no maior ícone da moda feminina até os dias atuais: a jaqueta Chanel. Nos anos seguintes, figuras andróginas ganharam as passarelas, os editoriais de moda, o cinema e a música (<3 David Bowie!). 

Mas 2014/2015 foi o marco de uma transformação maior ainda: as pessoas, fartas de se encaixarem nos padrões sociais pré-estabelecidos, deram voz às feministas que saíram em busca de seus direitos. Primeiro surgiu o Ask Her More, que exigia perguntas menos fúteis às grandes atrizes de Hollywood no Oscar. Depois o movimento He For She ganhou força graças à fundadora Emma Watson e seu grande talento e bravura na defesa dos direitos femininos. Não há mais espaço para preconceitos, as pessoas querem ser aceitas do jeito que são, com todas as suas singularidades. 

E se os últimos anos foram das reivindicações e do feminismo, 2016 promete ser o ano da desgeneralização. 

A moda, que sempre a apoiou, logo tratou de incluir em seus editoriais o apelo para a sexualidade não ser mais definida pelas roupas.


Um exemplo que deu o que falar foi a campanha feminina da Louis Vuitton estrelada por Jaden Smith, filho do ator Will Smith. Jaden já é conhecido pelo seu apurado senso estético e rebeldia com os estereótipos. E o mais sensacional de tudo isso é que não houve desconforto por parte do público ao vê-lo usando saias. 


Acho que todo o choque deve ter se esgotado quando Bruce Jenner se assumiu Caitlyn Jenner (linda!). Estamos na torcida para que casos assim sejam cada vez mais sinônimos de orgulho do que de susto.  

Mas nem todos pensam assim. Afinal uma campanha transfóbica foi premiada pelo Clube de Criação de São Paulo. Nela, fotos de transexuais em poses sensuais eram colocadas ao lado de documentos com suas identidades masculinas anteriores à transformação. O título “Se não é original, mais cedo ou mais tarde você sente a diferença” completava o raciocínio da campanha para a Meritor, uma empresa de autopeças. Não precisamos nem dizer que muitos se ofenderam com a campanha e debates surgiram em todas as redes sociais. 

Mas ainda bem que existe muita gente na propaganda com talento e discernimento para aproveitar casos assim e criar peças sensacionais e incríveis que ficarão marcadas na história. É o caso da campanha da boneca Barbie que, pela primeira vez em 50 anos, utilizou um menino em seu comercial, e de tantas outras que valem a pena dar um play. ☺



OMO convida você para enxergar um mundo com novos olhos.



A Barbie e a Moschino arrasam na campanha.



A campanha da Système U, uma das maiores redes de varejo da França propôs um Natal sem gênero para 2015 com a hashtag  #GenderFreeChristmas



A C&A veio com a campanha Tudo lindo & misturado, onde a ideia é ousar nas combinações, não se prendendo apenas ao que é proposto baseado pelo gênero.

É, tantas coisas aconteceram nesses últimos anos que fica difícil falar sobre todas elas.  Mas aqui está nosso apelo e nossa esperança de que 2016 continue quebrando tabus e encontrando espaço para todos serem o que desejam. Sem rótulos, sem gêneros. E, claro, cheio de propagandas e editoriais memoráveis para arrancar sorrisos e arrepios de orgulho.



Por: Lidia Sirio